Compartilhe esta página no: Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar no Google Plus



Índice de verbetes



Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas



A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas foi o primeiro centro espírita oficialmente legalizado no mundo, fundada em 1 de abril de 1858, por Allan Kardec, que foi escolhido presidente por aclamação, com sede em Paris, França. Como o próprio nome indica, o objetivo da instituição era estudar o Espiritismo e pesquisar os fenômenos mediúnicos, conforme o primeiro artigo de seu regulamento: "A Sociedade tem por objeto o estudo de todos os fenômenos relativos às manifestações espíritas e suas aplicações às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas". Contava com a colaboração de vários médiuns, pelos quais seus membros interagiam com os Espíritos comunicantes, tendo São Luís como o patrono espiritual de seus trabalhos.

O seu lançamento foi notificado na Revista Espírita, edição de maio de 1858 com a seguinte nota:

"A extensão por assim dizer universal que a cada dia tomam as crenças espíritas fazia vivamente desejar-se a criação de um centro regular de observações; essa lacuna acaba de ser preenchida. A Sociedade, cuja formação temos o prazer de anunciar, composta exclusivamente de pessoas sérias, isentas de prevenções e animadas do sincero desejo de serem esclarecidas, contou, desde o início, entre seus associados, com homens eminentes por seu saber e posição social. Ela é chamada — disso estamos convencidos — a prestar incontestáveis serviços à comprovação da verdade. Seu regulamento orgânico lhe assegura uma homogeneidade sem a qual não há vitalidade possível; autorizada por portaria do Sr. Prefeito de Polícia, conforme o aviso de S. Exa. Sr. Ministro do Interior e da Segurança Geral, em data de 13 de abril de 1858.
Baseia-se na experiência dos homens e das coisas e no conhecimento das condições necessárias às observações que são o objeto de suas pesquisas. Vindo a Paris, os estrangeiros que se interessarem pela Doutrina Espírita encontrarão, assim, um centro ao qual poderão dirigir-se para obter informações, e onde poderão também comunicar suas próprias observações."
Allan Kardec

Palais-Royal: local de lançamento de O Livro dos Espíritos e sede da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Em Obras Póstumas, Kardec conta que a entidade surgiu da necessidade de acolher o crescente número de adeptos ao Espiritismo que vinham participar das reuniões regulares que ele realizava em sua casa, na Rua dos Mártires, às terças-feiras. Os participantes propuseram então alugarem juntos um cômodo apropriado para comportar aqueles importantes trabalhos.

"Mas, então, fazia-se necessária uma autorização legal, a fim de se evitar que a autoridade nos fosse perturbar. O Sr. Dufaux, que se relacionava pessoalmente com o Prefeito de Polícia, encarregou-se de tratar do caso. A autorização também dependia do Ministro do Interior. A tarefa de obter essa autorização coube então ao general X..., que, sem que ninguém o soubesse, era simpático às nossas ideias — embora sem as conhecer inteiramente. Graças à sua influência, a autorização pôde ser concedida em quinze dias, quando, normalmente, leva três meses para ser dada."
Allan Kardec, Obras Póstumas - Segunda Parte, Fundação da Sociedade Espírita de Paris

Carta de Allan Kardec solicitando ao governo francês autorização para fundação e funcionamento legal da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Uma vez regulamentada a Sociedade, as sessões foram transferidas para uma sala alugada no Palais-Royal, inicialmente na galeria de Valois, depois, para uma sala maior, na Galeria Montpensier, quando suas sessões foram remarcadas para as sextas-feiras. Em 1860, a instituição foi relocada para sua sede própria, adquirida na Rua Saint-Anne, n° 59.


Passagem à Rua Saint'Anne: sede própria da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

As suas sessões eram fechadas ao público, reservando-se aos seus sócios e, eventualmente, a convidados que fossem previamente apresentados por um membro e autorizados pelo presidente. A admissão de um associado seguia um rigoroso processo de aprovação que, entre outros critérios, exigia a fiança de dois membros titulares e conhecimentos prévios da doutrina.

O regulamento completo da entidade foi publicado em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, cap. XXX. As principais atividades e notas da Sociedade eram publicadas na Revista Espírita.


Representação gráfica de uma reunião mediúnica na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Reeleito sucessivas vezes presidente da entidade, Kardec lutou para a manutenção da rígida disciplina das sessões e não menos rigoroso cuidado na admissão dos associados, enquanto isso, nos corredores, muitos de seus correligionários cobravam uma abertura maior da instituição. Alegando sobrecarga de tarefas, o codificador chegou a pedir demissão de suas funções administrativas da Sociedade, o que não ocorreu devido o apelo geral dos membros em favor de sua permanência na presidência (Revista Espírita, Julho de 1859: "Discurso de encerramento do Ano Social").

Depois da desencarnação do seu fundador, a Sociedade Parisense de Estudos Espíritas ficou a cargo de uma comissão diretora composta de sete membros, dentre as quais Amélie Boudet, a viúva de Kardec, pórém, não permanecendo ativa por muito tempo, uma vez que os continuadores da obra kardecista passaram a se concentrar nas atividades de uma organização, a Sociedade Anônima, que o codificador havia projetado para substituí-lo.


Referências

  • Obras Póstumas, Allan Kardec - especialmente 2ª Parte, "Fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas" (ler online)
  • O Livro dos Médiuns, Allan Kardec- especialmente cap. XXX: "Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas" (ler online).
  • Kardec, Marcel Souto Maior.
  • Revolução Espírita, Paulo Henrique de Figueiredo.
  • Em nome de Kardec, Adriano Calsone.



Índice de verbetes
Aksakof, Alexandre
Alexandre Aksakof
Allan Kardec
Alma
Alma gêmea
Amélie-Gabrielle Boudet
Anastasio García López
Anna Blackwell
Auto de Fé de Barcelona
Bem
Blackwell, Anna
Boudet, Amélie-Gabrielle
Cairbar Schutel
Canuto Abreu
Caridade
Cepa espírita
Charlatanismo
Charlatão
Chico Xavier
Codificador Espírita
Consolador
Crookes, William
Denis, Léon
Dentu, Editora
Dentu, Édouard
Desencarnado
Deus
Divaldo Pereira Franco
Doutrina Espírita
Ectoplasma
Ectoplasmia
Editora Dentu
Édouard Dentu
Epífise
Escrita Direta
Espiritismo
Espírito da Verdade
Espírito Santo
Espírito Verdade
Espiritual
Espiritualismo
Espiritualismo Moderno
Fora da Caridade não há salvação
Francisco Cândido Xavier
Franco, Divaldo Pereira
Galeria d'Orléans
Gama, Zilda
Glândula Pineal
Herculano Pires
Herege
Heresia
Hippolyte-Léon Denizard Rivail
Humberto de Campos
Inquisição
Irmão X
Joanna de Ângelis
Johann Heinrich Pestalozzi
José Herculano Pires
Kardec, Allan
Kardecismo
Lachâtre
Lamennais
Léon Denis
Linda Gazzera
Livraria Dentu
Madame Kardec
Mal
Maurice Lachátre
Médium
Mediunidade
Misticismo
Místico
Moderno Espiritualismo
Necromancia
O Livro dos Espíritos
Oração
Palais-Royal
Paráclito
Parasitismo psíquico
Pestalozzi
Pineal
Pneumatografia
Prece
Religião
Revelação Espírita
Rivail, Hippolyte-Léon Denizard
Santíssima Trindade
Santo Ofício
Silvino Canuto Abreu
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
Terceira Revelação
Tribunal do Santo Ofício
Ubiquidade
Vampirismo
William Crookes
Xenoglossia
Yvonne do Amaral Pereira
Zilda Gama

© 2014 - Todos os Direitos Reservados à Fraternidade Luz Espírita

▲ Topo